
Numa investigação de assassinato, um detetive se apaixona cada vez mais pela moça assassinada, ao mesmo tempo em que entrevista homens que a juravam amores.
Quando chega o domingo, se outros planos não me impedem, sigo um ritual: abro o Letterboxd na minha lista de filmes, clico em “aleatório”, e analiso as possibilidades até encontrar um filme que me cative. Ao ler uma sinopse como a supracitada e ver a idade do filme, a curiosidade foi inevitável. Mal sabia eu a joia que encontrara!

Para além da premissa, o máximo que me permito falar sobre o filme são os seus personagens, aqueles que conduzem a história:
- Tenente McPherson: um detetive determinado e travesso, decidido a extrair o máximo de informação dos entrevistados, mas sem deixar de fazer graça com cada um ou perder a autoridade;
- Waldo Lydecker: um colunista impassível e protetor, que não recua diante de uma adversidade para proteger seus interesses;
- Shelby Carpenter: um homem mais desengonçado, porém sedutor, capaz de ocultar seu passado conturbado para oferecer uma vida nova e feliz.
Todos, em algum momento, envolveram-se com Laura Hunt, uma publicitária dócil e habilidosa, de uma lábia irresistível aos ouvidos masculinos.
Um refresco contra a modernidade
Lembro-me de ter visto 12 homens e uma sentença e de ter me impressionado com a fortaleza dos jurados: a todo momento, havia gritos, acusações, por vezes quase agressões; mas o jurado nº 12, incapaz de trair sua consciência, enfrenta todas essas adversidades e desconfortos em prol da justiça. E vários outros, ao reconhecerem a consistência de seus argumentos, igualmente enfrentam esses desconfortos. É uma masculinidade admirável diante de tempos como os nossos.
Em Laura, essa tenacidade não é muito diferente: o detetive não deixa de brincar com seu jogo de beisebol portátil, não importa o quanto isso irrite seus companheiros. A própria Laura não deixa de ser quem ela é em busca do sucesso amoroso e profissional; ela se torna ainda mais interessante por características consideradas pouco femininas — como fumar e ser obtusa em suas respostas — não interferirem na sua graciosidade; pelo contrário, a reforçam, dado o encanto que provoca nos homens.
Os motores do mundo
Santa Catarina de Siena disse: “Seja quem Deus quis que você fosse, e incendiarás o mundo.”
Essa é a frase que resume esse filme para mim. É verdade que essas personalidades inabaláveis causaram muitos problemas para os personagens. No entanto, foi essa sinceridade a si mesmo que levou os de boa índole a atingirem seus objetivos; aos falsos, sobrou a ruína. Essas histórias de quase um século me soam como um chamado à fortaleza e à autenticidade como potencializadoras do ser humano; seja qual for a cruz, carregá-la com coragem e fidelidade às qualidades que Deus nos deu moverão a Terra.
Pax et bonum, fratelli!